Sem perspectiva de volta às aulas em curto prazo, a maioria dos brasileiros que cursa medicina em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, deixou a fronteira e voltou para as cidades de origem. Muitos desocuparam apartamentos onde viviam e colocaram os móveis em outros locais. 
Alguns estudantes pagam R$ 200,00 ou mais para pessoas de confiança guardar os pertences em casa. Há também paraguaios, proprietários de barracões, que desocupam os apartamentos a pedido dos brasileiros e guardam os móveis.  Já aqueles que moram em Ponta Porã estão com mais dificuldades para deixar os apartamentos e precisam arcar com os custos do aluguel. 

Quem decidiu ficar no Paraguai diz que a situação não é tranquila. Como o comércio está fechado, fica difícil receber dinheiro do Brasil para pagar as despesas em Pedro Juan Caballero e até trocar dinheiro em casas de câmbio para quitar o aluguel que disparou em razão da alta do dólar. 

Conforme o setor de Migrações do Paraguai, pelo menos 12 mil brasileiros cursam medicina em Pedro Juan Caballero. Atraídos por mensalidades bem mais em conta em relação as praticadas pelas universidades particulares brasileiras, os estudantes vêm de diversos estados brasileiros, incluindo as regiões Norte e Nordeste. A saída momentânea dos estudantes durante a quarentena é mais um fator de impacto na economia da fronteira. A maioria dos alunos depende do dinheiro dos pais, que vivem no Brasil, para se manter. 

Volta com quarentena

A data de retorno às aulas ainda é incerta. Essa semana, o presidente do Paraguai, Mario Benitez, chegou a anunciar a disposição de retomar aulas presenciais em dezembro. Em contrapartida, o titular do Cones, Narciso Velázquez, disse que as aulas poderiam reiniciar em junho.  Os estudantes aguardam a publicação de um decreto do governo para ter uma posição mais certa sobre a data. 

Para os brasileiros que estão do lado de cá da fronteira, a tarefa não será nada fácil.  Elogiado pelas medidas de isolamento, o governo paraguaio sinalizou que pode solicitar aos estudantes brasileiros que cumpram quarentena no país antes de entrar nas salas de aula. Atualmente, a  mesma medida vem sendo tomada com paraguaios que saem do Brasil e  retornam ao país.

Com alterações. Fonte: H2FOZ – Denise Paro